Por Sônia Gomes de Oliveira (CNLB)
Escola de Teologia do Laicato

Sônia Gomes de Oliveira inicia sua fala situando a sinodalidade não como moda ou conceito acadêmico, mas como resgate da essência da Igreja primitiva. Do grego syn-hodos – “caminhar juntos” –, a sinodalidade exige romper com o individualismo e o clericalismo que adoeceram as estruturas eclesiais. O convite do Papa Francisco é, portanto, um chamado à conversão comunitária.
No cotidiano do laicato, ser Igreja sinodal significa reconhecer que todos os batizados têm voz, vez e corresponsabilidade. Não há batismo de primeira ou segunda classe: pelo Batismo, todos participam do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo. A sinodalidade se expressa nas comunidades de base, pastorais sociais, conselhos paroquiais e famílias.
Sônia destaca três pilares desse itinerário. O primeiro é a escuta atenta e empática – não a escuta de quem apenas espera para rebater, mas uma escuta orante, acolhedora, que coloca o outro no centro, especialmente os pobres, as mulheres, a juventude e os vulneráveis. O segundo é a conversa espiritual, metodologia de oração e partilha profunda na qual não se debate para vencer, mas se acolhe o que o Espírito diz através do irmão. Exige silêncio interior, despojamento e abertura ao imprevisível de Deus. O terceiro é o discernimento comunitário, que não é votação democrática de maioria simples, mas busca conjunta da vontade de Deus para o momento histórico: “Aonde o Espírito Santo quer nos conduzir agora?”
Ela enfatiza a urgência da participação efetiva das mulheres e do laicato nas instâncias de decisão. As mulheres sustentam a fé nas comunidades e realizam a missão na ponta, mas ainda carecem de espaço reconhecido na tomada de decisões. Uma Igreja sinodal supera o paternalismo e reconhece a ministerialidade diversificada que o Espírito sopra sobre todo o povo.
Ela, reconhece também os desafios: medo da mudança, apego ao poder e tentação do retrocesso. Contudo, “o Espírito de Deus não recua!” A sinodalidade exige coragem profética para desarmar os espíritos, vencer preconceitos e construir pontes de diálogo ecumênico, inter-religioso e social.
Por fim, conclui com um apelo à Escola de Teologia do Laicato como espaço vivo de formação na arte de caminhar juntos. A sinodalidade é o rosto da Igreja para o terceiro milênio. Leigos e leigas são convocados a ser fermento de comunhão, participação e missão.
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