Por Padre Anderson Dias Gumieri
Arquidiocese de Maringá
4º Encontro Presencial e Online: Cidade de Guarapuava
2ª exposição do dia
Pastorais Sociais da CNBB do Regional Sul 2

O Padre Anderson Dias Gumieri, fundamenta-se na encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV, defende que a Inteligência Artificial (IA) não é uma força demoníaca a ser rejeitada, mas uma realidade tecnológica irreversível que exige um urgente discernimento ético para garantir a “salvaguarda da pessoa humana”. Sua tese central é a de que vivemos uma “mudança de época” onde a IA, impulsionada por gigantes privados transnacionais, corre o risco de se tornar uma “nova religião” secular, substituindo a confiança em Deus e nas instituições humanas pela delegação total do pensamento, da decisão e da criatividade aos algoritmos. O grande perigo não reside na tecnologia em si, mas na perda da autonomia humana e na concentração de poder nas mãos de uma elite que controla os dados — o novo ativo mais valioso do século XXI, superando a terra e as máquinas.
Sua fala, alerta para os impactos devastadores desse modelo, ilustrados por exemplos concretos: a exploração de trabalhadores precarizados no Sul Global para treinar algoritmos (moderadores de conteúdo expostos a traumas), o consumo insustentável de energia e água por data centers, e a extração de “minerais de conflito” que financiam guerras civis. Além disso, aponta para uma futura crise social grave: a exclusão em massa de trabalhadores (“massa sobrante”) devido à automação, o que poderá gerar desespero existencial e aumento de suicídios se não houver uma resposta solidária da sociedade. A IA, usada como ferramenta de marketing e controle, promete conveniência, mas cobra o preço da vigilância constante, da manipulação comportamental (como em eleições) e da erosão da privacidade, criando bolhas personalizadas que impedem o debate democrático real.
Diante desse cenário, a proposta do Papa Leão XIV, ecoando a Doutrina Social da Igreja, não é o ‘ludismo’, mas a regulação ética universal e a orientação da tecnologia para o Bem Comum. Isso exige superar a lógica do lucro desenfreado e reconhecer que a inteligência e a consciência são prerrogativas exclusivas do ser humano, criado à imagem de Deus. A solução passa por um “discernimento partilhado” envolvendo toda a sociedade — governos, empresas e cidadãos — para reconstruir as “muralhas de Jerusalém” da dignidade humana. O chamado final é para que todos, cada um em sua vocação, assumam a responsabilidade de garantir que a IA sirva à promoção integral da pessoa e não a torne obsoleta, preservando a capacidade de pensar, amar e decidir livremente em um mundo cada vez mais automatizado.
Link da Aula do dia 29/ago/2026, 2ª aula:
https://youtu.be/pTmoXB0-XF4
Link da Playlist com todas as aulas:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLK73YU0wd5FHUc0klGZQHfYDqQkfHABiG
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