O Laicato e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora na Igreja do Brasil (2026-2032)
Baseado no documento 114 da CNBB
1o Encontro: O Laicato diante do desafio do nosso tempo
Assessoria: Marlise Ritter, vice-presidente do CNLB Nacional.
Data: 06/08/2026

Um breve resumo
Marlise Ritter iniciou sua fala destacando a importância do momento formativo e da abertura proporcionada pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), que se apresentam como uma bússola para orientar a caminhada da Igreja. O objetivo central é evangelizar anunciando Jesus Cristo como Igreja sinodal, marcada pela escuta, comunhão, participação e missão, sustentada pela Palavra e pelos sacramentos, com opção preferencial pelos pobres.
Ela utilizou o símbolo da tenda para explicar a proposta das diretrizes. A tenda, no Antigo Testamento, remete à experiência do êxodo, como lugar de encontro, proteção e hospitalidade. Hoje, ela simboliza a Igreja que acolhe, escuta e discerne os sinais dos tempos. Marlise ressaltou que a tenda deve ser alargada, conforme o convite do profeta Isaías, para incluir todos, especialmente os pobres, migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, lembrou que muitas tendas atuais — como as de refugiados ou pessoas em situação de rua — revelam exclusão e indiferença, o que interpela a missão da Igreja.
Em seguida, Marlise abordou o contexto que deu origem às novas diretrizes, marcado por rápidas transformações culturais, sociais e tecnológicas. Vivemos uma “mudança de época”, não apenas uma época de mudanças. Entre os desafios, citou:
- Cultura digital e exclusão tecnológica.
- Individualismo e enfraquecimento dos vínculos comunitários.
- Pluralismo religioso e novas formas de espiritualidade.
- Polarização social e eclesial.
- Crise ecológica e mudanças climáticas.
- Migrações e mobilidade humana.
- Novos rostos da pobreza.
Ela detalhou esses “novos rostos da pobreza”, que vão além da dimensão econômica: pobreza digital (exclusão informacional), pobreza relacional (solidão e isolamento), pobreza afetiva (violência doméstica e falta de acolhimento), pobreza de sentido (desesperança e dependências), pobreza espiritual (distanciamento da fé), pobreza de direitos (falta de acesso à saúde e educação) e pobreza socioambiental (destruição da casa comum). Cada uma dessas dimensões exige respostas concretas da Igreja e dos leigos.
Marlise reforçou que os cristãos leigos e leigas são chamados a ler a realidade com fé, discernir os sinais dos tempos e responder pastoralmente. A missão laical não se limita ao espaço eclesial, mas se estende à sociedade, às famílias, ao trabalho e às diversas instâncias da vida cotidiana. O laicato deve ser sal e luz, testemunhando o Evangelho em meio às contradições do mundo contemporâneo.
Por fim, ela concluiu destacando que as diretrizes não são apenas um documento, mas um convite à conversão pastoral e ao compromisso concreto com a construção do Reino de Deus. A tenda, como símbolo, nos lembra que a Igreja deve ser lugar de encontro, escuta e envio missionário, capaz de acolher os pobres e marginalizados, discernir os desafios atuais e anunciar Jesus Cristo com coragem e esperança.
Link para o 1º Encontro
https://www.youtube.com/watch?v=xImnrYuUecI&list=PLWuUbMHqKt4Y&index=1
Link para a Playlist sobre as DGAE 2026-2032
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